Algumas pessoas podem torcer o nariz para o bingo, mas jogar regularmente ajuda com a memória e o QI, de acordo com cientistas.

Pessoas que jogam com regularidade tem chances maiores de se manter mentalmente ativos e afiados na terceira idade. Pesquisadores da Universidade de Edimburgo, na Escócia, descobriram que jogar bingo é tão bom quanto jogar xadrez, baralho ou palavras-cruzadas quando se trata de melhorar o raciocínio lógico: estudos realizados pela universidade mostraram que pessoas acima dos 70 anos que jogavam bingo algumas vezes por semana tinham um QI em média 1.5 ponto acima daqueles que não jogavam. Os participantes do estudo também tiraram, em média, 3 pontos acima em testes de memória.

Drew Altschul, pesquisador em psicologia da Escola de Filosofia, Psicologia e Ciências Linguísticas de Edinburgo, afirma que “essas descobertas recentes colaboram com evidências de que se engajar em atividades estimulantes ao longo da vida pode estar associado com melhores capacidades de raciocínio na terceira idade. Para aqueles por volta dos 70 anos e mais, pode-se dizer que parece ser que jogar [jogos de tabuleiro e cartela] é um comportamento benéfico, em termos de redução de declínio cognitivo.”

Psicólogos da Universidade de Edimburgo testaram mais de 1000 pessoas que fazem parte do estudo “Lothian birth-cohort of 1936”, um estudo controlado feito com um grupo de indivíduos que nasceram em 1936 e participaram da Scottish Mental Survey de 1947.
Ao completarem 70 anos de idade, o grupo testado originalmente passou por novos testes de memória, lógica, resolução de problemas, velocidade de raciocínio e habilidades gerais de raciocínio, e os testes foram repetidos a cada três anos, até que completassem 79 anos.
O grupo também foi questionado sobre seus hábitos de diversão e entretenimento – isto é, com que frequência jogavam cartas, xadrez, bingo ou faziam palavras cruzadas – e a equipe de cientistas cruzou esses dados com os adquiridos décadas antes, nos testes que eles realizaram aos 11 anos de idade. Fatores de estilo de vida como educação, status socioeconômico e niveis de atividade gerais também foram levados em consideração.

O resultado mostrou que pessoas que aumentaram a frequência de jogos na meia-idade apresentaram menor declínio lógico na casa dos setenta anos – particularmente em função de memória e velocidade de pensamento.

O professor Ian Deary, diretor do Centro de Envelhecimento Cognitivo e Epidemiologia Cognitiva da Universidade de Edimburgo, afirmou que “nós [cientistas] e outros profissionais estamos afinando e entendendo melhor os tipos de atividades que podem ajudar a manter o raciocínio afiado em idades avançadas. No nosso grupo [do estudo] Lothian, tudo indica que, aparentemente, não se trata só de atividades intelectuais e sociais de forma geral; mas que há algo nesse grupo de jogos específicos que possui uma associação pequena, porém detectável, com um envelhecimento cognitivo mais positivo. Seria bom descobrir se alguns desses jogos são mais potentes que outros.”

Originalmente escrito por Sarah Knapton para o Telegraph, em 25 de novembro de 2019.