Voluntários ajudam pacientes a não pensar na doença durante os períodos de espera em Rio Preto-SP.

Nany Fadil

Receber o diagnóstico de um câncer não é fácil como também é “dolorido” o período de tratamento, cirurgias, quimioterapia, radioterapia e retorno ao médico.

Para aliviar a tensão e ansiedade do paciente, voluntários do ICA (Instituto do Câncer), do Hospital de Base, promovem bingos e brincadeiras no ambulatório do câncer para que a espera pela quimioterapia ou retorno médico seja o menos estressante possível.

“Minimiza a ansiedade e reduz os efeitos colaterais da quimioterapia”, diz a psicóloga do ICA, Ana Maria Vianna.

Segundo ela, alguns pacientes só de pegar o papel de indicação de quimioterapia têm vômito antecipado.

“Essas simples brincadeiras fazem parte da estratégia de enfrentamento da doença.”

O trabalho não é novo. Começou em 2006, mas os resultados são sentidos desde a primeira vez em que o paciente participa das brincadeiras.

“É muito bom. Até esqueci que vim para ver o médico”, diz a dona-de-casa Lúcia Ganzella Oliveira, 62 anos.

Ela retirou nódulo da mama, fez quimioterapia e radioterapia. Voltava para retorno médico e participava do bingo, pela primeira vez na quinta-feira.

A aposentada Marilda Gonçalves, 66, faz quimioterapia duas vezes por mês. E sempre participa do bingo. Ela retirou o seio direito, mas o câncer agora se alojou nos ossos.

“Faz muito bem mesmo. Enquanto eu brinco não penso e nem falo sobre a doença.”

A voluntária Margarida Pereira, 48, sentiu na pele a importância do trabalho que faz. Ela teve câncer. “Eu precisava de alguém para conversar. Pinto as unhas das mulheres, que por causa da quimioterapia ficam escuras, e elas colocam um pouco de suas angustias para fora.”

Segundo a assistente social do ICA, Lilian Chessa Dias, o projeto combate a ansiedade, promove a autoestima e a socialização dos pacientes.

Fonte: Rede Bom Dia